sábado, 28 de março de 2015

Teto





















Cheiro que acolhe
Afago perfumado

Me entrego, me enlaço
É fato

Que é?
Que será?
Incerto

Meu teto
Afeto concreto

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Jardim






















Menina flor
Não espere que um jardineiro te regue
Não se entregue

Não ofereça seus brotos à um outro alguém
Seu desabrochar é raro
Requer estima e preparo

Sê forte para florir
Soberana de seu próprio jardim
Selecione os buquês que vai colorir

domingo, 14 de dezembro de 2014

Desenforme-se



















Sai fora com essa fôrma
Bisturi, cinta e tesoura
Me deixa ser essa pessoa


Quero costura que me represente
Modelo que me alimente
Para quê ser igual toda a gente?

Tão sofrido é ser medida
Transformar irmãs em inimigas
Para que competir, gerar intriga?

Beleza não se mede em fita 
Não fira a menina
Esse corpo você não dita

domingo, 9 de novembro de 2014

Lírica
















Ele diz ser artista
E sobre mim versos vomita
Não sei se acho legítima essa lírica 
Que lhe enche de orgulho enquanto recita

Foi encontro interessante
Experiência bonita
Música dançante

É de afeto que necessito
Mas isso não me basta
Quero escuta apurada 
Não serei silenciada

Essa indiferença me faz refletir
Será que devo prosseguir?
A pontualidade das diferenças não me deixa mentir

Tentei um dueto
Mas sem harmonia
     Melhor seguir sozinha.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Anomalia


















Essa tal heteronormatividade me cansa
O que tem você a ver com a transa?
Deveria é educar suas crianças
Não perco por nada essa esperança

Não tolero a sua ira
Piada in(ofensiva)
Visão turva da vida

Deveria cuidar do seu nariz
Normal pra mim é ser feliz