Me narra Me silencia Tira Dita o meu coração E sacia Egosangria Não me calo mais Minha Mulher agora grita! Refuta os versos que você recita Não me feres mais Firme fica
Menina flor Não espere que um jardineiro te regue Não se entregue Não ofereça seus brotos à um outro alguém Seu desabrochar é raro Requer estima e preparo Sê forte para florir Soberana de seu próprio jardim Selecione os buquês que vai colorir
Ele diz ser artista E sobre mim versos vomita Não sei se acho legítima essa lírica Que lhe enche de orgulho enquanto recita Foi encontro interessante Experiência bonita Música dançante É de afeto que necessito Mas isso não me basta Quero escuta apurada Não serei silenciada Essa indiferença me faz refletir Será que devo prosseguir? A pontualidade das diferenças não me deixa mentir Tentei um dueto Mas sem harmonia Melhor seguir sozinha.
Ascensão social é carnaval Festa é ostentar aquele celular Poder comprar sem parcelar Mas qual é o preço a se pagar? Engoliram ideologia Regurgitam mercadoria E nessa folia Meu ideal permanece Utopia
Conexão cibernética Atração astral Pessoas de carne Vícios e tal Um encontro Dois seres Aparência Ideal Visão Tato Olfato Que tal? Virtual Consensual Sensorial Me bordei em você Fatal
Ser mulher em SP é sair sozinha pela cidade Ser mulher em SP é ouvir pelo menos uma cantada ao andar sozinha pela cidade Ser mulher em SP é voltar irritada para casa por ter ouvido uma cantada no caminho Ser mulher em SP é se sentir impotente Ser mulher em SP é chamar um amigo homem para ir com você em certos lugares para se sentir mais segura Ser mulher em SP é ouvir o amigo esquerdista contar como foi engraçado quando ele e os amigos apostaram quem ia pegar 'a gorda' na balada Ser mulher em SP é ter amigos homens que desconstroem seu machismo Ser mulher em SP é conhecer o feminismo via facebook Ser mulher em SP é perceber que o feminismo nunca foi citado em toda a sua vida escolar Ser mulher em SP é não ter certeza se é feminista ou não
Ser mulher em SP é gostar de cavalheirismo Ser mulher em SP é não gostar de cavalheirismo Ser mulher em SP é ser oprimida pela mãe por iniciar sua vida sexual 'cedo demais'
Ser mulher em SP é ser oprimida pela mãe por iniciar sua vida sexual 'tarde demais' Ser mulher em SP é optar por se depilar ou não Ser mulher em SP é sair de saia curta Ser mulher em SP é sair de saia longa Ser mulher em SP é ser negra, pobre e trans* Ser mulher em SP é ser branca burguesa e cis Ser mulher em SP é ouvir que a sua classe social oprime as demais Ser mulher em SP é optar por quebrar os padrões de sua classe social
Ser mulher em SP é escolher fazer engenharia Ser mulher em SP é decidir estudar Ser mulher em SP é ouvir piadas sobre agressão doméstica no cursinho Ser mulher em SP é participar da Frente Feminista da sua universidade Ser mulher em SP é trabalhar Ser mulher em SP é ganhar menos que um homem em um cargo equivalente
Ser mulher em SP é não ter seus direitos preservados Ser mulher em SP é se interessar pela política Ser mulher em SP é não se interessar pela política Ser mulher em SP é saber que existem candidatas que lutam pelos direitos da mulher Ser mulher em SP é ver mulheres reproduzindo discursos machistas
Ser mulher em SP é ver as companheiras de luta reagindo às opressões Ser mulher em SP é se orgulhar das Severinas e sua revolução no Sertão Ser mulher em SP é ter voz Ser mulher em SP é resistir Ser mulher em SP é lutar pela mudança Ser mulher em SP é ter esperança.
Carlos Drummond de Andrade apresenta em sua obra "Sentimento do Mundo", uma ideologia que reafirma os ideais modernistas e propõe um caminho para restaurar a humanidade. Segundo o autor, o indivíduo singular é insuficiente e deve tornar-se conhecedor de suas mínguas e, a partir daí, adotar uma postura antropofágica na busca pela evolução. A união de várias insuficiências concebe um todo suficiente porém instável, já que está sempre em busca de progresso. Assim, seria a proposta de Drummond mera Utopia? É possível afirmar que não. Na literatura, "a Cidade e as Serras", de Eça de Queirós, relata a transformação moral de um indivíduo, o burguês Jacinto, através do deslocamento do egocentro para o sociocentro e do exercício do questionamento de padrões massificados. Guiado por Zé Fernandes, Jacinto percebe que não há igualdade natural, a harmonia surge da diferença. Qualquer semelhança com os ideais do poeta não é mera coincidência. Eça de Queirós, anos antes, em sua obra exemplifica e reforça a possibilidade de aplicação da tese de "Sentimento do Mundo". O primeiro passo para a execução da estratégia de Drummond no mundo contemporâneo seria a adoção de uma atitude antropofágica. Essa deveria ser disseminada a partir da escolarização básica: Paulo Freire, em sua obra, propõe uma educação crítica, na qual o estudante é sujeito ativo e aprende a desenvolver uma inquietude na busca por sanar suas incompletudes. O caminho para que isso ocorra está nas relações, tanto professor-estudante quanto estudante-estudante. Dessa forma, a importância do coletivo seria reforçada no cotidiano, resultando na construção de um singular suficiente. Outro elemento que contribui para o andamento da proposta Drummoniana é a globalização e a acessibilidade à informação. O mundo está interligado através da internet, a popularização das redes sociais comprova a existência da necessidade de comunicar-se com o outro, compartilhar e curtir experiências. Resta sair do plano virtual e ir para o plano real. No entanto, mudanças sociais demandam tempo e engajamento, afinal uma reforma ideológica depende da adesão do todo, e cada um tem seu tempo para compreender e optar pela quebra de seus paradigmas. Abraçar essa escolha, a de ter uma atitude modernista, não se dá em curto prazo. Mas a solução proposta pelo poeta não é inexequível. É importante ressaltar que a ruptura de padrões não é um processo singelo, pelo contrário, quebrar-se é uma etapa agressiva, é necessário rever-se, ter uma abertura para mudanças de antigos pensamentos e atitudes. O contexto atual de Regime Capitalista, que prega a livre concorrência e alimenta uma postura individualista, dificulta ainda mais esse processo de conscientização da importância de cada um no coletivo, e do exercício do amor ao próximo e ao distante. A única forma de concretizar Utopias é por meio dessa atitude antropofágica. Assim, a partir dos cacos singulares provenientes desse processo, será possível construir um mosaico, a suficiência.
Evelyn Queiróz é uma artista que traz em sua obra uma reflexão sobre os padrões de beleza femininos
impostos pela sociedade. A artista aborda o tema por meio de diversas linguagens como o graffiti, lambe-lambe, pintura e ilustrações digitais.
Suas personagens são mulheres que se aceitam como são, indo contra a onda dos opressores padrões que nos bombardeiam diariamente e colocam em risco nosso amor próprio.
Sua arte reforça o valor das diferenças, estar fora da fôrma não é problema algum! Todas temos nosso valor e devemos amar nosso corpo, que afinal é nossa morada.
Recentemente reuniu em um livro, o Beleza Real,
histórias de mulheres que foram violentadas e as ilustrou. O livro foi feito de forma artesanal e foi realizado com a ajuda de doações, está à venda no site dela.
Negahamburger também faz desenhos personalizados sob encomenda, você também pode ter uma 'euhamburger'!
Eu
particularmente me apaixonei por seu trabalho, Negahamburger é só amor
♥. Além disso ela é super ativa nas redes sociais e tem um site lindo (prefiro não comentar sobre o meu amor pela loja hahaha).
A ideia de criar um blog foi mais uma daquelas conhecidas 'promessas de ano novo' que fazemos com o objetivo de nos reinventar de alguma forma.
Movida pela inquietude e a vontade de proporcionar reflexões senti a necessidade de criar um espaço onde pudesse propiciar o início das mudanças que desejo ver no mundo. Desenforme-se vem de sair da fôrma, pensar diferente do cômodo, quebrar os padrões, o que tem sido meu objetivo pessoal. Nesse espaço compartilharei histórias das mais diversas áreas de pessoas que estão, assim como eu (nós?), repensando o mundo ao seu redor e propondo alternativas criativas e inspiracionais em seus trabalhos. O Desenforme-se começa aqui! Sejam bem vindos!